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Análise semiótica no desenvolvimento de projeto de produto

Resumo/Abstract

Imagem: Marina Kanzian

Erica Sayuri Ide

Resumo

O objetivo do trabalho é analisar o processo criativo do desenvolvimento do projeto feito para a disciplina “Projeto de Produto VII – Edifício”, do curso de Design, FAU/USP, à luz dos conceitos da semiótica de Peirce, com auxílio da tabela periódica das classes de signos. Será traçado um paralelo, quando possível, da metodologia projetual aplicada no design com o solenoide da semiose, utilizando-se de diagramas e outras ferramentas adequadas à situação, para melhor ilustrar a comparação.

Palavras-chave: abrigo temporário; desastres naturais; situação emergencial; metodologia; Bruno Munari

Abstract

The objective is to analyze the creative process of developing the project made in the course “Product Design VII – Building”, at design, FAU/USP, through the concepts of Peirce’s semiotics, with the aid of the periodic table of the classes signs. A parallel is drawn, when possible, with methodology used in the design projectual with solenoid semeiose, using diagrams and other tools appropriate to the situation to better illustrate the comparison.

Keywords: temporary buildings; natural disasters; emergency situation; methodology; Bruno Munari

Paper

Introdução: o objeto de estudo

Será objeto de análise o projeto desenvolvido na disciplina Projeto de Produto VII – Edifício. O projeto tem como objetivo solucionar a questão das moradias temporárias móveis para vítimas de catástrofes naturais, como inundações e desmoronamentos, com destaque para as regiões sul e sudeste do país, que concentram mais de 60% dos casos.
Além de proporcionar um abrigo temporário para essas vítimas, permitindo que as atividades básicas humanas sejam desenvolvidas até que uma nova moradia definitiva seja construída (o que pode levar até cinco anos), o projeto também considera as condições psicológicas dessas pessoas, preocupando-se em devolver a autoestima a elas, não deixando de lado as questões ambientais, visando a sustentabilidade e autossuficiência do abrigo.

Análise

O método projetual utilizado para concepção do abrigo foi baseado na metodologia criada por Bruno Munari, explicada em seu livro Das Coisas Nascem Coisas. Nele, o autor pontua que o “problema de design resulta de uma necessidade” e que “a solução de tais problemas melhora a qualidade de vida” (MUNARI, 2000).
Primeiramente, é necessário definir o problema como um todo para que sejam estabelecidos os limites a se trabalhar. O problema geral foi definido pela própria disciplina (abrigo temporário para situações emergenciais) e os limites foram determinados por cada grupo.
Podemos ver que houve a passagem pelos quatro períodos do solenoide da semiose. No período da fundamentação, houve a geração de informação a partir da experiência e da fase da percepção, abduções não conscientes foram sintetizadas, gerando hábitos dinâmicos. Algumas das fontes de experiências que podem ser citadas são notícias de jornais (televisivos, impressos e online), revistas, conhecimentos adquiridos na escola e filmes/seriados televisivos apocalípticos, como Walking Dead, Arquivo X, entre outros, que contribuíram para a criação de quadros e estados em relação ao tema “situações emergenciais”.

Passado este período, temos a presentação, a fase da consciência, acompanhada pela inquisição, que é representada pelos questionamentos dos professores conforme apresentávamos nossas ideias geradas pelo brainstorming. O processo de brainstorming é “uma sessão de agitação de ideias”, cujo princípio é quanto mais ideias que atendem/solucionam o problema, melhor.

Após a geração de ideias, eliminamos as que parecem mais absurdas ou que se encaixam menos na proposta. Nesse momento, as abduções são conscientes e existem hipóteses que estão sendo testadas. O período de representação, acompanhado pela fase de deliberação, faz amadurecer a síntese das ideias geradas na fundamentação e presentação. Como num sistema auto-organizado, as ideias geradas atuam como organismos vivos, capazes de crescer, incorporar novidades e descartar o que não é mais útil. Para que isso seja possível, as etapas anteriores foram trabalhadas novamente, até que o signo alcançasse um nível de quase cristalização e o trabalho pudesse ter prosseguimento. O diagrama abaixo mostra a lista de ideias geradas na presentação e a escolha do signo com maior capacidade de representação.

Figura 1: Ideias geradas na presentação.

 

 

Por fim, chegamos ao último período do solenoide, que é a comunicação, informada através de argumentos científicos. A limitação da situação emergencial escolhida foi “vítimas de catástrofes naturais, como enchentes e desmoronamentos, com destaque para as regiões sul e sudeste do país” e a sua informação foi uma apresentação oral para os professores e demais alunos da turma, com slides virtuais.

Após delimitado o problema, podemos dividi-lo em diversos componentes. “Um único problema de design é um conjunto de muitos subproblemas. A parte mais árdua do trabalho do designer será a de conciliar as várias soluções com o projeto global”. Para a determinação dos componentes do problema foi necessário criar um diagrama para que suas partes e relações ficassem bem claras, evitando também que alguma parte fosse esquecida.

Figura 2: Diagrama de subproblemas

 

 

A partir dessas perguntas foi iniciada a pesquisa com o objetivo de gerar requisitos de projeto, isto é, diretrizes que deverão guiar o encaminhamento deste. Esse conjunto de diretrizes é uma lista de recomendações que o próprio grupo gera, a partir da análise dos dados coletados na pesquisa. Quanto mais requisitos o projeto final contemplar, mais próximo estará do seu interpretante final.

Novamente, podemos identificar os quatro períodos do solenoide da semiose, neste processo. Inicialmente, geramos informação no período da fundamentação. A etapa é marcada pela percepção adquirida por ensinamentos do colégio e da faculdade, complementada por pesquisas feitas pelo grupo. As fontes foram as mais diversas, como relatos pessoais, leitura de depoimentos de vítimas, teses, notícias, entre outros.

Depois, passamos pelo período da presentação, no qual cada requisito gerado no brainstorming foi pensado de modo que otimizasse a sua capacidade de funcionar como signo. Damos materialidade ao que foi coletado nas percepções do período anterior.

Após a fase de inquirição, muitos que não colaboravam para o propósito foram descartados e os que colaboravam mais permaneceram com destaque. Chamamos essa distinção de requisitos imperativos (os que obrigatoriamente o projeto deve responder), seguido por desejáveis (requisitos complementares que devem ser seguidos em maior número possível, porém, sem a obrigatoriedade do anterior). Há outras maneiras de classificação/distinção dos itens, sendo que o grupo optou por hierarquizar a qualidade de cada um, deixando o mais imperativo no topo, e conforme decresce sua imperatividade, mais próximo da base fica.

No período da representação e deliberação, o grupo fez intervenções de modo que os requisitos se aproximassem da completude do interpretante final, organizando e reorganizando os requisitos e classificando-os, facilitando sua aplicabilidade para atingir seu propósito (anexo).

Finalmente, no período da comunicação, temos a informação apresentada aos professores em forma de relatório; também exposições orais aos professores e demais colegas de sala.

A próxima etapa de projeto é a geração de alternativas contemplando o maior número possível de requisitos. É feito um brainstorming para selecionar a linha de partida a ser seguida, para depois ser aperfeiçoada e se aproximar cada vez mais do interpretante final. De acordo com Munari, nesta etapa,

Será precisamente a criatividade que substituirá a ideia intuitiva, a qual está relacionada ao modo artístico-romântico de resolver um problema. A criatividade ocupa assim o lugar da ideia e processa-se de acordo com o seu método. Enquanto a ideia, ligada à fantasia, pode chegar a propor soluções irrealizáveis por razões técnicas, materiais ou econômicas, a criatividade mantém-se nos limites do problema – limites que resultam da análise dos dados e dos subproblemas.

A fundamentação é baseada nas percepções geradas pelos requisitos de projeto. A internalização das diretrizes e as experiências anteriores vividas por cada integrante conduzirão este período. Podemos citar como exemplos, as brincadeiras de infância com objetos de montar no estilo Lego, casas de boneca Barbie, brinquedos de montar com peças imantadas, entre outros.

A materialização destas percepções vem do período da presentação e mostra-se em forma de sketches e até mesmo alguns simulacros. Aqui, o agente inquisitivo é representado pela figura dos professores, que atuam como funil de decisões, auxiliando na maturação dos signos. A seguir, alguns sketches com possibilidades de representação do signo.

Figura 3: Estrutura baseada em sistema de porta pantográfica, enfeites sanfonados e lona

Figura 4: Estrutura modular encaixável com ímãs

 

Figura 5: Estrutura dobrável e compacta com dobradiças

A representação é informada e deliberada, através de programas simuladores 3D e desenhos, aprimorando os signos desenvolvidos anteriormente. É importante destacar que durante o processo, há a passagem pelos períodos passados, para assegurar a maturação do signo. Por exemplo, durante a representação do possível signo, pode ser realizada nova pesquisa e materialização de novos signos. Como num sistema complexo que tende a auto-organização, o que não serve mais é descartado e, conforme houver necessidade, nova informação é incorporada ao sistema.

Por fim, a comunicação das representações aos professores deu-se como apresentação em forma de atendimento. A seguir, diagramas da síntese das linhas de partido geradas e comunicadas aos professores.

Figura 6: Linha de partido blocos empilháveis

Figura 7: Linha de partido blocos encaixáveis

Figura 7: Linha de partido blocos encaixáveis

Figura 9: Linha de partido bloco retrátil

Figura 10: Linha de partido bloco abre e fecha

Figura 11: Linha de partido triângulos modulares

Conforme esperado, a comunicação produz efeitos emocionais e dinâmicos, estabelecendo uma opinião generalizada sobre o que foi comunicado. Assim, foi decidido qual partido deveria ser desenvolvido. A discussão envolvendo essa escolha também passa pelos quatro períodos da semiose, porém, não será detalhada neste trabalho, para não se distanciar da proposta, que é analisar o processo criativo de geração do projeto. É suficiente saber qual partido foi eleito pelos professores, para dar continuidade ao aperfeiçoamento do signo pelo grupo, para se aproximar do seu interpretante final.

Definido o partido, há nova decomposição do problema em componentes menores: como resolver instalações elétricas, áreas molhadas, ventilação, fundação, captação da água da chuva, sistema de coleta de esgoto, entre outros. A operação seguinte consiste em uma nova coleta de dados, relativos aos materiais e às tecnologias disponíveis para realizar o projeto. Cada um desses problemas passa pelos quatro períodos da semiose.

Durante o período da fundamentação, foi essencial realizar novas pesquisas, para a cristalização dos conhecimentos necessários relacionados aos problemas específicos do projeto. Este período é fundamental para as posteriores etapas caminharem. Caso não receba a devida atenção, é necessário retornar a este ponto até que se tenha material suficiente para prosseguir.

Na presentação, várias possíveis soluções foram materializadas através de diagramas. As hipóteses foram testadas por uma série de abduções e alteradas conforme a dedução as  aprovava ou reprovava. É importante expor que não foi possível realizar testes indutivos, pelas limitações da própria disciplina (tecnologia disponível, cronograma etc.). Para auxiliar nesta fase, os professores novamente tiveram papel fundamental, auxiliando na fase inquisitiva e eliminando soluções absurdas conforme deduziam isso.

Figura 12: Diagrama do telhado (esq.) e parede steel framing (dir.)

Figura 13: Diagrama de instalação elétrica (esq.) e hidráulica (dir.) - fonte

Figura 14: Diagrama de estudos de encaixe

Na representação, os diagramas anteriores mais cristalizados foram modificados até a máxima organização possível dentro do cronograma disponível. Por exemplo, para solucionar a estrutura de fixação das paredes, que tinha como requisito imperativo ser facilmente montável e desmontável, foi proposto o uso de ímãs de neodímio. A hipótese lançada foi que se as paredes se fixassem e se soltassem facilmente, como acontece com velcro, zíper ou ímã, o problema seria resolvido. Essa hipótese só foi possível porque estava consolidado o período de fundamentação, que tornou possível a materialização dela na presentação e seu aperfeiçoamento na representação.

Figura 15: Diagrama de encaixe dos ímãs do piso do abrigo

A consolidação da decisão de utilizar os ímãs na estrutura foi fruto de dedução, partindo da premissa maior que ímãs de neodímio tem grande poder de atração, necessitando de um corpo muito menor que os outros ímãs para atrair a mesma carga, e da sua atual condição de real aplicabilidade em móveis e pequenos objetos (portas de armário, bolsas, portas). Assim, deduzimos que aumentando seu corpo, o ímã seria capaz de fixar uma estrutura que funciona como parede no abrigo.

É na etapa de representação que as relações entre signo e objeto podem ser modificadas, assim, podemos finalmente criar. A solução do problema da fixação das estruturas alcançada no projeto é inovadora, porque modificou a relação existente entre signo e objeto, criando uma nova relação, inusitada. As pessoas já tem percepções transformadas em hábitos quando evocamos o signo “ímã”. Podemos citar alguns interpretantes resultantes da cristalização destes hábitos, como as figuras dos enfeites de geladeiras, clips, moedas, brinquedos, etc., mas dificilmente alguém relacionaria com abrigo temporário, parede, vigas etc.

Diversas mudanças de signo foram feitas neste período de representação, dentro de cada componente do problema. Outro exemplo que pode ser citado é a mudança em relação ao ciclo de nutrientes e da água dentro do abrigo. Nele, o ciclo de nutrientes é fechado e não há sistema de coleta de esgoto.

O que permitiu essa mudança foi a implantação do sistema de banheiro seco, que transforma em adubo os dejetos produzidos, sem a utilização de água no processo. A água da chuva é aproveitada, bem como a chamada água cinza, proveniente das torneiras e banho. Assim, o abrigo torna-se praticamente autossuficiente em relação aos recursos, respeitando os preceitos da sustentabilidade.

Figura 16: Diagrama do ciclo de nutrientes do abrigo - Fonte: ESREY ET al, 2001 (adaptado)

Figura 17: Diagrama do ciclo da água no abrigo

Figura 18: Diagrama do funcionamento do banheiro seco (esq.) e vaso sanitário projetado (dir.)

Outra mudança importante introduzida pelo projeto foi a possiblidade de personalização do abrigo temporário por cada uma das famílias, possível pela modularização deste. Os abrigos temporários existentes são esteticamente repulsivos e iguais. As famílias que necessitam deles já estão desestabilizadas emocionalmente, por terem perdido suas casas e seus pertences e terem que aguardar até que novas moradias sejam construídas. Possibilitar certo grau de individualidade é importante no processo de recuperação psicológica das famílias.

 

Figura 19: Diagrama dos possíveis abrigos montados com diferentes números de módulos triangulares (base): abrigo mínimo com quatro (esq.) e cinco (dir.) módulos

 

Figura 20: Simulacro do abrigo com oito módulos

Figura 21: Simulacro do abrigo com quatro módulos (mínimo)

Mais uma mudança essencial foi em relação aos móveis da casa. Deduzimos que se uma pessoa está dormindo, ela não precisará utilizar mesa nem sofá. Portanto, projetamos móveis multifuncionais que mudam de função conforme sua disposição no espaço.

Figura 22: Presentação de móvel multifuncional

Cada solução de cada componente exigiu que o grupo voltasse aos outros níveis da semiose até alcançar resultado satisfatório. Quando todos os componentes finalmente apresentaram um bom nível de solução, foram representados todos os sistemas em programas 3D, gerando simulacros.

Por fim, temos a fase de comunicação final aos professores e demais colegas da sala. A sua forma consistia em relatório, informando todas as etapas construtivas do projeto, apresentação oral com slides virtuais e apresentação de miniaturas (do interior e exterior) físicas do abrigo.

Figura 23: Simulacro do interior do abrigo. Cozinha (esq.) e banheiro (dir.)

Figura 24: Simulacro do interior do abrigo. Cozinha (esq.) e camas (dir.)

Figura 25: Simulacro do exterior do abrigo

 

Figura 26: Simulacro das peças do abrigo para transporte - Fonte: Autor

Figura 27: Miniaturas físicas do abrigo (exterior) - Fonte: Autor

Figura 28: Miniaturas físicas do abrigo (interior) - Fonte: Autor

Figura 29: Miniaturas físicas do abrigo (interior e exterior)

Considerando as limitações da disciplina, aqui se encerra o projeto, não fazendo parte dela a verificação de estruturas, sua real produção, implantação e verificação de sua aceitabilidade em relação aos usuários.

Conclusão

Analisando o processo criativo do desenvolvimento do abrigo temporário à luz dos conceitos da semiótica de Peirce, concluímos que é possível fazer um paralelo entre a prática projetual do designer e os quatro períodos do solenoide da semiose. Grosseiramente, podemos dizer que são semelhantes em pares: fundamentação e pesquisa; presentação e brainstorming; representação e confecção de modelos físicos/virtuais; comunicação e relatório/pranchas de comunicação. Porém, como o projeto mostra-se como um sistema complexo capaz de se auto-organizar, de se desenvolver e incorporar/eliminar elementos, é importante lembrar que dentro de cada etapa projetual encontram-se os quatro períodos do solenoide da semiose. Por fim, embora a análise tenha sido linear, também é importante ressaltar que há mudanças constantes de níveis e mais de um período pode ser trabalhado simultaneamente, mas, se a base no período da fundamentação não for sólida, é impossível prosseguir tanto com o projeto quanto com os períodos do solenoide.

Bibliografia

GHIZZI, Eluiza Bortolotto. Arquitetura em Diagramas: Uma análise da Presença do Raciocínio Dedutivo-Diagramático no Processo Projetivo em Arquitetura. São Paulo, Volume 3, número 2, p. 109-124, texto 12/3.2, julho/dezembro, 2006.

SANTAELLA, Lúcia. A Teoria Geral dos Signos: Semiose e autogeração. São Paulo: Ática, 1995.

NASCIMENTO, Myrna de Arruda. Arquiteturas do Pensamento. São Paulo, 2002. Tese (doutorado) – Universidade de São Paulo – USP.

BONFIM, Gustavo A. Metodologia para desenvolvimento de projetos. João Pessoa: Ed Universitária/UFPB, 1995.

MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo: Ed. Martins, 2000.

SALLES, Cecília Almeida. Crítica Genética. EDUC, 2008.

Anexos

Requisitos de projeto

1. Estrutura
A moradia deve ser montada e desmontada de maneira rápida e fácil
Sua montagem e desmontagem deve ser possível com o menor número de pessoas e instruções
A moradia deve ter sistema que possibilite e facilite seu transporte
A moradia deve ter o custo mais baixo possível
A moradia deve possibilitar a criação de ambientes internos
A moradia deve ter sistema que permita sua adaptação para acomodar famílias de diversos tamanhos
Os materiais utilizados devem agredir o ambiente o mínimo possível
Os materiais utilizados devem possibilitar reuso em outras aplicações

2. Relação do edifício com o seu entorno
O espaço a ser ocupado por cada moradia deve ser o menor possível (sendo o espaço mínimo de 12m² para uma família de quatro pessoas e espaçamento de 3m entre cada moradia)
A moradia deve ser adaptável a diversas topografias
A moradia deve ser adaptável a diversos tipos de terrenos
A moradia deve ter sistema que isole os usuários de agentes da natureza

3. Saúde e higiene

3.1. Pessoal

Deverá haver um ambiente privativo para eliminação de resíduos fisiológicos
A moradia deve permitir higiene pessoal
A moradia deve possibilitar o repouso/descanso das pessoas
A moradia deve possibilitar higienização e cozimento de alimentos
Deverá existir espaço para armazenamento adequado dos alimentos
A moradia deve possibilitar a realização de refeições
A moradia deve possibilitar a lavagem e secagem de roupas e utensílios

3.2. Ambientes
Os ambientes devem ser configurados de modo a não oferecer riscos de acidentes ao usuário
A configuração dos ambientes deve permitir que haja higienização do local

3.3. Ar
Deverá haver sistema de ventilação que permita troca de ar, além de sua circulação dentro do ambiente

3.4. Água
A moradia deverá ter um sistema que possibilite o consumo de água
Deverá haver sistema de descarte da água já utilizada
A moradia deve possibilitar o consumo de água potável

4. Conforto

4.1. Higrotérmico
A moradia deve ter sistema de circulação de ar mesmo estando fechada, evitando possíveis sufocamentos
Os ambientes deverão proporcionar temperaturas agradáveis aos usuários (o mais próximo possível dos 25 graus Celsius)
Deverá haver sistema de iluminação que proporcione a visibilidade do ambiente interno, tanto durante o dia quanto de noite

4.2. Olfativo
Deverá haver sistema de ventilação que permita a circulação do ar e consequente troca de gases do ambiente
Os materiais da moradia devem ser escolhidos de maneira que evite que o ambiente fique impregnado com determinado odor

4.3. Privacidade
Os ambientes devem oferecer sistemas de isolamento visual e/ou acústico quando desejado
O ambiente deve possibilitar a adequação de diversos tipos de mobiliário
Deverá haver espaços reservados para a guarda de objetos pessoais

5. Gestão

5.1. Energia
Os abrigos devem receber energia suficiente para suprir as necessidades dos alojados em todo o período de permanência
A moradia deve possibilitar ligação com rede de energia local
A moradia deve ter sistemas de geração de energia que aproveitam o potencial da região
A moradia deve possibilitar mais de um sistema para obtenção de energia
5.2. Água
Deve haver sistema que otimize a captação da água
Deve haver sistema que possibilite reaproveitamento da água
Deve haver sistema que colete e elimine a água já utilizada

5.3. Resíduos de uso e operação do edifício
A moradia deve ter sistema para coleta e descarte de esgoto
A moradia deve ter sistema que possibilite a separação do lixo para possível reciclagem
A moradia deve ter sistema que facilite e otimize a eliminação do lixo
Deve haver sistema para aproveitamento do lixo orgânico

5.4. Manutenção
A moradia deve ser configurada de modo que possibilite e facilite sua limpeza
A moradia deve ser configurada de modo que possibilite e facilite a manutenção dos sistemas de maneira independente

6. Usabilidade
As estruturas que permitirem mais de uma configuração de uso devem ser intuitivas e de fácil manipulação
As prováveis alterações de configuração devem ser possíveis de serem feitas por uma pessoa sozinha

7. Segurança
A moradia deverá contar com sistema que evite furtos de objetos pessoais
O piso deve ter aderência adequada para evitar quedas por escorregamento
Instalações e fios não devem obstruir passagens

8. Estética
A estética deve ser atraente tanto para o público feminino quanto masculino
A estética da moradia deve ser culturalmente aceitável

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