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Apresentação – Semiótica(s) para um mundo em tensão

 

Semiótica(s) para um mundo em tensão

Não bastassem os fenômenos sociais que já pediam passagem em um contexto inflamado, as circunstâncias atuais demandam reflexões ainda mais atualizadas sobre os processos de estabelecimento do sentido. Nesse cenário, como repensar a noção de significação? Com isso em mente, a Revista Semeiosis proporciona aos leitores uma cuidadosa seleção de artigos que almejam, por meio da semiótica, uma aguçada observação acerca de desdobramentos recentes. Trata-se, em suma, de um olhar semiótico para um mundo em constante tensão.

O primeiro questionamento se dá quanto a uma ressignificação desse cenário essencialmente imagético. Deve-se reinterpretar, semioticamente, a interação entre imagem, artista e interpretante. Se para uma análise do corpo é sumamente importante questionar o papel desse imaginário na cultura, nada mais natural do que revisitar teorias inteiras relacionadas ao assunto – passando por Eco, Peirce, Santaella e Flusser – a fim de conjecturarmos a respeito da centralidade da noção de corpo em ambientes que proporcionem uma expectativa de interatividade.

Em seguida, ainda mantendo o debate a respeito do poder das imagens, apresentamos ao leitor uma análise mais demorada sobre o papel desse valor no decorrer da campanha política do atual presidente. Baseando-se em um estudo sociossemiótico, afirma o autor do artigo que as imagens utilizadas nesse cenário ajudaram no embasamento discursivo do então candidato à presidência.

O leitor que possui interesse pelo papel da arte nesse “novo cotidiano” poderá encontrar no terceiro artigo uma interessante perquirição a respeito da produção de significado nos trabalhos de Pedro Franz. Partindo da filosofia de Greimas, os autores do estudo realizam uma profunda discussão a respeito da produção e apreensão de sentido no interior das narrativas do artista.

Além do poder das imagens, a contemporaneidade também está embebida no viés do consumo incessante cuja publicidade funciona como a catalisadora dessa economia inerente à comercialização dos objetos. Para o professor Vitor H. Lima, importante notar que ainda hoje a própria embalagem nos sirva como o ponto fulcral do produto, onde se vinculam os elementos visuais e linguísticos das mais diversas mensagens articuladas pela publicidade profissional.

E já que um dos intuitos da revista é o de evidenciar fenômenos contemporâneos, trazemos à tona uma reflexão a respeito da influência do aplicativo Grindr, cuja utilização ressignifica, segundo o autor do artigo, o caráter do signo naquilo que tange a uma noção de construção da masculinidade, especialmente ao se discutir o papel desempenhado pelo conceito de virilidade. O leitor que se interessar pelo debate sobre a função da semiótica no que concerne à construção social do gênero terá, na última leitura de nossa revista, uma abordagem a respeito da psicologia enquanto metassemiótica. Adicionalmente, verá como o fenômeno psicossocial se transforma em fator de importância para uma averiguação minuciosa a respeito de uma análise sobre as dinâmicas que regem o código das estruturas relacionadas ao gênero.

Não nos esquecemos tampouco de uma abordagem mais tradicional ao estudo da semiótica. Por isso, incorporamos também uma importante discussão a respeito da interlocução entre signo e pensamento com base no escopo da obra de Peirce.

Outro aspecto-chave cuja relevância se faz premente na discussão a respeito do cenário atual é o contexto da educação no país. Nessa edição, há uma investigação elaborada pela pesquisadora Virgínia Lima em parceria com a professora Sílvia M. de Melo sobre a construção do sentido em uma das obras mais importantes da literatura infanto-juvenil brasileira, objeto de estudo de alunos do ensino básico – “A marca de uma lágrima” de Pedro Bandeira. O objetivo é pensar a semiótica como ferramenta de auxílio à interpretação desse texto além de engendrar uma reflexão acerca do papel da própria semiótica em sala de aula.

Em suma, esperamos que essa edição da revista, com ilustrações de Pedro Caldas, possa fomentar o estudo sobre a semiótica no que se refere a um exame profundo acerca dos sentidos que perpassam não apenas uma discussão acadêmica, mas também a construção de toda uma realidade constituída por uma comunidade dos mais variados interpretantes. Possa essa teoria da significação abrir outros caminhos para uma análise mais aprofundada a respeito dos novos fenômenos que se fazem presentes na contemporaneidade.

Os Editores

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