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Os textos digitais e seus sistemas modelizantes

Resumo/Abstract

Ilustração por Catarina Bessell

Daniela Osvald Ramos

Resumo

Os textos digitais são as possibilidades de organização das mensagens e da geração de semioses nos formatos. Entendemos esses textos como possibilidades de escrita digital jornalística, já que é a partir deles que as linguagens digitais são combinadas, recombinadas e estruturadas pelos formatos. Cada texto em si já é uma área de pesquisa estabelecida no campo da comunicação digital, com diferentes estruturalidades (o que significa dizer, modelizados por diferentes sistemas) e características que os diferem. Assim, exemplificamos e apontamos os sistemas modelizantes dos aplicativos/programas, games, hipermídia, RSS (agregadores), realidade aumentada, redes sociais, blogs, crowdsourcing, wikis, geolocalização, visualização de bases de dados e websemântica, tags e metadados.

Palavras-chave: textos digitais; sistemas modelizantes; escrita digital; formato

Abstract

Digital texts are the possibilities of message organization and of semeiosis of formats. We comprehend such texts as possibilities of journalistic digital writing, because it’s from them that digital languages are combined, recombined and structured by formats. Each text is itself an area of research established into the field of digital communication, with different structuralities (which means, modelized by different systems) and characteristics that differ them. Thus, we exemplify and indicate the modelizing systems of apps/programs, games, hypermedia, RSS, expanded reality, social networks, blogs, crowdsourcing, wikis, geolocalization, data visualization and websemantics, tags and metadata.

Keywords: digital texts; modelizing systems; digital writing; format

Introdução

Introdução

Neste artigo mapeamos os textos digitais a partir dos quais pode-se gerar as linguagens digitais, modelizadas pelos formatos. Entendemos os formatos como as possibilidades de organização das mensagens e da geração de semioses a partir dos textos digitais. Para nós, esses textos são as possibilidades de escrita digital, especialmente a jornalística, já que é a partir destes textos que as linguagens digitais são combinadas, recombinadas e estruturadas pelos formatos. Queremos deixar claro que cada texto em si já é uma área de pesquisa estabelecida no campo da comunicação digital, com diferentes estruturalidades (o que significa dizer, modelizados por diferentes sistemas) e características que os diferem. Corrêa (2008) ao propor uma reflexão para uma epistemologia da comunicação digital identifica quatro indícios que são as estruturas em comum destes textos:

(…) a conexão à rede para absorção das mensagens, o uso do hipertexto na construção narrativa destas mensagens, agregado ao uso de pelo menos um dos recursos de imagem ou som, e a disponibilidade de recursos de interação com o espaço comunicativo. (…) O que temos em mãos e em cena atual é uma rede que opera a partir de suas quatro singularidades originais, enfatizando características adicionais de presença ubíqua, de estabelecimento de conversações como meio de troca social, de crescente uso de formas expressivas imagéticas, e de configuração de processos de produção cada vez mais integradores (p. 315).

Assim, estes textos estão na rede, então é preciso a conexão para entrarmos em contato com as semioses resultantes; o hipertexto é sua base fundante; muitos deles são compostos por imagens e som, ou ambos, caracterizando-os como multimídia e pela possibilidade hipertextual, a hipermídia. Por fim, pode-se interagir com vários destes textos a partir de diversos tipos de formatos. Podemos dizer, então, que a conexão em rede, o hipertexto, o audiovisual e a interação modelizam os aplicativos e programas, games, redes sociais, blogs, geolocalização, wikis, crowdsourcing e participação de ordens diversas, hipermídia, a visualização de dados e a websemântica. O fato de isolá-los para observação não significa que estes textos operem desta forma, ao contrário. Eles atuam de modo interligados e isolá-los é uma necessidade metodológica para entendermos as diversas e inúmeras possibilidades da escrita jornalística com o signo informático. Como já observamos, formatos com modelizações provenientes de sistemas semióticos de meios de comunicação, como a hipermídia, ocorrem com mais freqüência. Observamos que estes textos muitas vezes aparecem em usos isolados, e não como possibilidades de uma escrita integrada em formatos como parte do texto da cultura JDBD. Nossa hipótese é a de que à medida que a alfabetização da escrita com o signo informático avançar, a ocorrência de formatos mais variados tende a crescer.

Incluímos em cada texto anotações sobre seus sistemas modelizantes que por ora identificamos. Queremos com isso futuramente desenvolver a hipótese dos diagramas ontológicos (MACHADO & ROMANINI, 2010) do texto digital e demonstrar a ação do continuum da semiosfera. O texto JDBD e o signo informático envolvem, como já apontamos, uma certa hierarquia de códigos e sistemas. A noção da existência de hierarquia nos textos digitais é fundamental para que se compreenda sua estrutura. Podemos basicamente enumerar a hierarquia para o funcionamento do computador como números » bits » linguagem de máquina » códigos » linguagens » softwares, mas sabemos que não se trata somente disso. Como já discutimos, há muitas hierarquias envolvidas, de códigos, de linguagens e principalmente de design. Assim, tentamos ordenar os sistemas modelizantes de cada texto numa sequência, de forma a percebermos uma certa hierarquia de sistemas modelizantes na qual o primeiro sistema possibilita o desenvolvimento do posterior.

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