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Jerome Rothenberg: dez poemas anarco/arcaicos

Sobre os autores

Imagem: Marina Kanzian

Jerome Rothenberg (Nova Iorque, 1931) é desde o final dos anos 1960 um dos principais teóricos e artistas do que ele conceitua como etnopoética/etnopoesia (ethnopoetics). A partir da publicação do monumental Technicians of the Sacred: A Range Of Poems From Africa, America, Asia & Oceania (1968), foram diversas antologias, ensaios e trabalhos individuais engajados na aproximação entre poéticas arcaicas de todos os continentes e poéticas ocidentais modernas/vanguardistas, contribuindo para que se entenda a poesia segundo perspectivas exteriores à tradição letrada europeia. Os poemas aqui publicados fazem parte dos livros Poems For The Game Of Silence (1970) e That Dada Strain (1983).


Bruno Brum
(Belo Horizonte, 1981) publicou os livros Mínima idéia (2004), Cada (2007) e Mastodontes na sala de espera (2011, Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2010). Entre 2006 e 2009 coeditou, com Makely Ka, a Revista de Autofagia, dedicada à literatura e às artes visuais. Em 2011 foi um dos curadores da terceira edição da ZIP (Zona de Invenção Poesia &), em Belo Horizonte, ao lado de Ricardo Aleixo e Chico de Paula. Além de Jerome Rothenberg, traduziu poemas de John Ashbery, Vicente Huidobro, Roberto Bolaño e Leopoldo María Panero. Tem poemas, traduções e textos críticos sobre sua obra publicados em diversos periódicos, entre os quais Sibila, Musa Rara, Coyote, Terra Magazine, Suplemento Literário de Minas Gerais, O Globo, Estado de Minas, Gazeta de Alagoas e Diário do Nordeste. Atualmente prepara uma antologia com seus poemas traduzidos para o portunhol selvagem por Douglas Diegues.

Apresentação

“Estou sempre em busca de novas formas e caminhos, mas também de maneiras de trazer para a minha própria linguagem as mais antigas possibilidades de poesia que remontam às culturas arcaicas e primitivas que se abriram para nós nos últimos cem anos.” Esse trecho, extraído do livro Poems for the Game of Silence, me parece uma boa síntese do pensamento estético e da atuação de Jerome Rothenberg ao longo das últimas décadas. Nascido em Nova York em 1931, esse filho de imigrantes judeus poloneses tem sua trajetória marcada pelo constante diálogo com os movimentos de vanguarda do século XX, como o Dadaísmo, o Grupo Fluxus, os Beats, além dos poetas em torno dos grupos L=A=N=G=U=A=G=E e Black Mountain, ao mesmo tempo em que realiza um extenso trabalho de pesquisa e divulgação das vozes poéticas à margem do cânone ocidental, que ele próprio denominou Etnopoéticas, em grande parte reunidos no livro Technicians of the Sacred (1968). Além de seus próprios livros de poemas, publicados com regularidade desde sua estreia, em 1960, com White Sun Black Sun, Rothenberg possui também um extenso trabalho como tradutor (Paul Celan, Günter Grass, Eugen Gomringer, Hans Magnus Enzenberger, entre outros), performer, organizou inúmeras antologias e escreveu peças para o teatro (sua peça Poland/1931 foi montada pelo Living Theater em 1981). Investiu também na poesia falada, não apenas como pesquisador, chegando a gravar mais de uma dezena de discos.
Os poemas a seguir foram extraídos dos livros That DADA Strain (1983) e Poems For The Game of Silence: 1960-1970 (1971), ambos inéditos no Brasil. Embora não ofereça uma visão aprofundada da obra desse criador múltiplo e profícuo, o que ora se apresenta é um pequeno recorte que, apesar da exiguidade, nos dá algumas pistas dos diversos caminhos trilhados por seu autor. No prefácio ao livro That DADA Strain, Rothenberg afirma que o poema falado diz coisas que sua forma escrita insiste em calar. Que as letras aqui impressas sirvam de estímulo para novas buscas.

[Bruno Brum]

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