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Ícones, índices e símbolos em um trecho de O nome da rosa

Resumo/Abstract

Detalhe da edição citada no artigo

Richard Perassi Luiz de Sousa, Eluiza Bortolotto Ghizzi e Amanda Pires Machado

Resumo

A teoria semiótica fundada por C. S. Peirce e desenvolvida por Umberto Eco indica que as representações linguísticas são símbolos. No trecho em estudo, os símbolos linguísticos foram articulados para narrar a chegada de frei Guilherme de Baskerville em frente à abadia, que é o principal cenário da trama literária. Para tanto, há descrições de cenas, de acontecimentos e de diálogos compositores da narrativa. Em decorrência da leitura do texto, os interpretantes são produzidos na mente dos leitores, configurando imagens ou ícones que, no contexto narrativo, são apresentados como índices, signos indicativos ou símbolos, decorrentes de informações convencionais. Na parte final do trecho em estudo, o autor descreve, por meio de um enunciador, as relações icônicas, indiciais e simbólicas, que permitiram ao protagonista o entendimento cognitivo da situação vivenciada.

Palavras-chave: literatura; narração; cognição

Abstract

According to the semiotic theory founded by C. S. Peirce and developed by Umberto Eco, linguistic representations are symbols. In the analyzed passage, linguistic symbols were articulated to recount the arrival of brother William of Baskerville in front of the abbey, the novel’s main set. Thus, descriptions of scenes, events and dialogues allow the production, after the text, of interpreters in the readers’ minds, configuring images or icons that are presented, in the narrative context, as indexes and indicative signs, as well as symbols originated from conventional information. In the end of the studied passage, the iconic, indicial and symbolic relations used by the protagonist to achieve the fully cognitive understanding of the lived situation are described by the author.

Keywords: literature; narration; cognition

Artigo

O trecho da obra de Umberto Eco referido no título deste trabalho consta entre as páginas 36 e 39 do livro O nome da rosa, publicado no Brasil em 1986. O texto dessa edição foi traduzido do original em italiano (1980), por Aurora Fornoni Bernadini e Homero Freitas de Andrade.

No livro o autor apresenta como narrador dos acontecimentos o noviço Adso, personagem caracterizado como discípulo do protagonista. No trecho em estudo, é narrada a chegada do personagem protagonista, frei Guilherme de Baskerville, e de seu discípulo à frente da abadia que compõe o cenário de desenvolvimento da narrativa. Especificamente, há o interesse pela passagem a seguir, que trata da descoberta da fuga de um cavalo:

Eu sou Remigio de Varagine, o despenseiro do mosteiro. E se vós sois, como creio eu, frei Guilherme de Baskerville, o Abade precisaria ser avisado. “Tu”, ordenou voltando-se para alguém do séquito, “sobe para avisar que nosso visitante está para adentrar os muros!”. “Agradeço-vos, senhor despenseiro”, respondeu cordialmente meu mestre, “e tanto mais aprecio a vossa cortesia quanto para saudar-me interrompestes a perseguição. Mas não receeis, o cavalo passou por aqui e dirigiu-se para o atalho da direita. Não poderá ter ido muito longe, porque chegado ao depósito de estrume precisará deter-se. É inteligente demais para lançar-se escarpa abaixo”. “Quando o vistes?”, perguntou o despenseiro. “Na realidade não o vimos, não é, Adso?”, disse Guilherme voltando-se para mim com ar divertido. “Mas se estais à procura de Brunello, o animal não pode estar senão onde eu disse”. O despenseiro hesitou. Olhou Guilherme, em seguida o atalho, e por fim perguntou: “Brunello? Como sabeis?”. “Vamos”, disse Guilherme, “é evidente que andais à procura de Brunello, o cavalo favorito do Abade, o melhor galopador de vossa escuderia, de pelo preto, cinco pés de altura, de cauda suntuosa, de casco pequeno e redondo mas de galope bastante regular; cabeça diminuta, orelhas finas e olhos grandes. Foi para a direita, estou vos dizendo, e apressai-vos, em todo caso”.

A teoria semiótica que embasa este estudo é de raiz filosófica e foi fundada por Charles Sanders Peirce (1839-1914), filósofo, lógico e matemático norte-americano. Dessa adotam-se especialmente conceitos desenvolvidos na parte denominada Gramática Especulativa; aqueles que tratam da tricotomia da relação dos signos com seus objetos dinâmicos, classificando-os conforme o tipo de ligação que estabelecem – similaridade, contiguidade, convencionalidade – em: ícone, índice e símbolo respectivamente. Os conceitos e as relações teóricas propostas neste artigo tomam escritos de Peirce (2005), Eco (1997), Nöth (1995 e 1996) e Santaella (1995) como referência.

O texto em estudo, como todas as representações linguísticas, é composto como um conjunto de símbolos, denominação dada aos signos convencionais, entre esses as palavras escritas ou faladas. A semiótica peirceana, todavia, tende a mostrar a ação dos símbolos – signos genuinamente triádicos, ou seja, aqueles nos quais todos os constituintes estão envolvidos em relações da ordem da terceiridade – dentro de um conjunto significante no qual estão envolvidos ícones e índices – signos degenerados ou quase-signos, assim chamados porque um (ou mais) de seus constituintes envolve relações da ordem da secundidade ou da primeiridade simplesmente (PEIRCE, 2005: 63). Um entrelaçamento entre esses tipos de signos e os símbolos ocorre nas situações de comunicação em geral, o que é importante tanto para estabelecer a conexão dos símbolos com a realidade quanto para o uso dos símbolos na elaboração de hipóteses abstratas sobre essa mesma realidade.

Os símbolos linguísticos são articulados no texto em questão para representar as cenas e seus elementos, os acontecimentos, os diálogos e, ainda, parte dos pensamentos dos personagens no momento da chegada de frei Guilherme e seu discípulo Adso em frente à Abadia, em um dia no fim do mês de novembro do ano de 1327.

Em decorrência da leitura do texto, são produzidos interpretantes ou novos signos na mente do leitor, que segue construindo uma narrativa na imaginação. Dentro da narrativa, desenrola-se todo o “teatro” de relações icônicas, indiciais e simbólicas. E é nele que atua o intérprete que interessa a este artigo – o protagonista da história –, cujo pensamento o autor permite acompanhar. Na narrativa, frei Guilherme acompanha os signos da cena descrita – especialmente os visuais – desencadeando uma semiose na qual atualiza para a situação em que se encontra um símbolo da época, ilustrando o processo pelo qual a interpretação de símbolos precisa fazer-se acompanhar de ícones e de índices. No caso dos ícones destacados aqui, é importante ressaltar sua atuação no campo das ideias gerais (ou ícones de significação) que compõem o símbolo, além de sua atuação nas associações por similaridade feitas pelo protagonista; já os índices atuam na medida em que permitem conectar o discurso com o mundo existencial em questão.

As descrições de cenas, acontecimentos, diálogos e pensamentos informam o leitor sobre as condições ambientais do local de chegada e, principalmente, sobre a maneira como o discípulo-narrador percebe a atuação lógica do frei protagonista na interpretação dos sinais do ambiente, relacionando-os à cultura literária de seu tempo.

Logo no início do texto há uma primeira indicação do processo de semiose, que se caracteriza pela ação continuada do signo, criando diversos interpretantes em sequência lógica. Ao ter a percepção imagética do caminho que levava à Abadia, com árvores do tipo pinheiro em posições simétricas e distanciamentos regulares, surgiram na mente do frei as ideias de ordenação e beleza que, por sua vez, desencadearam as de esmero e vontade de bem impressionar o público externo à Abadia. As primeiras ideias, de beleza, decorrem de relações icônicas entre as qualidades do que é visto (regularidade, simetria) e as de coisas em geral que respeitam um padrão clássico de beleza. Para as segundas ideias, contudo, foram considerados os dispêndios necessários para a obtenção desse efeito visual, bem como as razões que poderiam justificar os recursos e esforços despendidos, tais como: recursos humanos e materiais, ações administrativas e disposição para aparecer bem diante do público. Aqui o protagonista se mostra conhecedor de certos padrões de comportamento social da sua época. Assim, foi possível concluir, por meio de relações simbólicas entre o que foi visto e os padrões conhecidos: “Abadia rica (…) ao Abade agrada aparecer bem nas ocasiões públicas”.

Além dessa interpretação, que considera os significados abstratos naquilo que poderia servir apenas à apreciação (a paisagem), os signos linguísticos da comunicação interpessoal também são apresentados no texto como recurso de representação e leitura de eventos envolvendo os personagens. Um exemplo disso é a recepção feita aos visitantes por um dos monges, entre os que se encontravam do lado de fora da Abadia: “bem vindo, senhor (…) e não vos admireis se adivinho quem sois, porque fomos advertidos de vossa visita”.

A questão central do trecho estudado, entretanto, é a interpretação de frei Guilherme a respeito da fuga, perseguição e paradeiro de Brunello, nome dado ao “cavalo favorito do Abade”. A surpresa manifesta pelo personagem Adso, que é expressa na sua narração do episódio, deve-se ao fato de que, sem ter visto o animal, frei Guilherme soube de sua existência, de sua procedência, de sua aparência, de seu nome e de sua localização.

É por meio das palavras do frei protagonista, esclarecendo ao discípulo sobre o processo de reconhecimento da existência, do porte e do paradeiro do animal, que o autor informa ao leitor sobre a possibilidade de interpretação dos signos deixados por um animal em fuga.

“No trevo, sobre a neve ainda fresca, estavam desenhadas com muita clareza as marcas dos cascos de um cavalo, que apontavam para o atalho à nossa esquerda. A uma distância perfeita e igual um do outro, os sinais indicavam que o casco era pequeno e redondo, e o galope bastante regular — disso então deduzi a natureza do cavalo, e o fato de que ele não corria desordenadamente como faz um animal desembestado. Lá onde os pinheiros formavam como que um teto natural, alguns ramos tinham sido recém-partidos bem na altura de cinco pés. Uma das touceiras de amoras, onde o animal deve ter virado para tomar o caminho à sua direita, enquanto sacudia altivamente a bela cauda, trazia presas ainda entre os espinhos longas crinas negras. Não vais me dizer afinal que não sabes que aquela senda conduz ao depósito do estrume, porque subindo pela curva inferior vimos a baba dos detritos escorrer pelas escarpas aos pés do torreão meridional, enfeando a neve; e do modo como o trevo estava disposto, o caminho não podia senão levar àquela direção”. “Sim”, disse, “mas a cabeça pequena, as orelhas pontudas, os olhos grandes…” “Não sei se os tem, mas com certeza os monges acreditam piamente nisso. Dizia Isidoro de Sevilha que a beleza de um cavalo exige ut sít exiguum caput et siccum prope pelle ossibus adhaerente, aures breves et argutae, oculi magni, nares patulae, erecta cervix, coma densa et cauda, ungularum soliditate fixa rotunditas. Se o cavalo de que inferi a passagem não fosse realmente o melhor da escuderia, não se explicaria por que não foram apenas os cavalariços a persegui-lo, mas até o despenseiro deu-se ao incômodo. E um monge que considera um cavalo excelente, além de suas formas naturais, só pode vê-lo assim como as autorictates o descreveram, especialmente se”, e aqui endereçou-me um sorriso de malícia, “é um douto beneditino…” “Está bem”, disse, “mas por que Brunello?” “Que o Espírito Santo te dê mais esperteza que a que tens, meu filho!”, exclamou o mestre. “Que outro nome lhe darias se até mesmo o grande Buridan, que está para tornar-se reitor em Paris, precisando falar de um belo cavalo, não encontrou nome mais natural?”

Os indícios, vestígios ou marcas de algo em particular são denominados na teoria peirceana como signos indiciais ou índices; e sua principal característica é a relação de contiguidade que estabelecem com seus objetos; em outras palavras, tais signos são tomados como marcas de contato, “partes” de algo, capazes de remeter ao todo (relação metonímica). Assim, esse tipo de signo é geralmente composto por marcas diretamente decorrentes da presença ou da ação física do objeto com o qual esteve conectado (contíguo) e ao qual se refere ou o qual representa.

De acordo com o texto, os índices que denunciaram a existência do cavalo para o frei foram as “marcas dos cascos de um cavalo”, os “ramos quebrados”, e “entre os espinhos longas crinas negras”. Outros índices também informaram sobre a direção e os obstáculos da fuga do animal, como as marcas dos cascos que apontavam para o atalho à esquerda ou, ainda, “a baba dos detritos” que escorria sobre a neve e indicava a posição do depósito de estrume, que impediria o percurso do animal naquela direção.

A aparência privilegiada do cavalo foi composta de acordo com signos que tanto continham os indícios de sua existência e passagem pelo local quanto configuravam referências icônicas, como o casco “pequeno e redondo” ou as “longas crinas negras”. Sua natureza, contudo, foi caracterizada para além da existência e da aparência; como quando a equivalência das distâncias entre suas marcas informava sobre “o galope bastante regular” e que “ele não corria desordenadamente como faz um animal desembestado”. Esse nível de interpretação da regularidade do galope, como sinal de ordenação, requer uma ilação ou relação simbólica decorrente de o protagonista demonstrar reconhecer ali certo tipo de comportamento como vinculado a certo tipo de animal.

O desenho das marcas regulares das patas do cavalo na neve é, portanto, um ícone, uma imagem que permite caracterizar qualitativamente o animal. Mas também é um índice, porque é um registro direto da passagem do animal. Além disso, é símbolo, porque permite significação arbitrária e convencional, associando-o às ideias de regularidade, ordenação e inteligência. Isso diferenciou o cavalo em questão de um “animal desembestado”.

O traço simbólico desenvolvido na relação com ícones e índices pode ser lido, ainda, na mensuração visual dos ramos partidos pela passagem do cavalo “na altura de cinco pés”. A percepção e a quantificação da distância, com base em um padrão de medida, levam o frei a considerar um cavalo de grande estatura. Os galhos quebrados indicando a passagem (índice) e a própria estatura que ajuda a compor as qualidades do animal (ícone) são avaliados, juntamente com outros signos icônicos e indiciais citados acima, em um processo lógico de significação, de natureza simbólica, que desencadeia na coerência entre os elementos da aparência do animal e certo tipo conhecido de animal.

Os símbolos da cultura literária, que o autor propõe para compor a ideologia da época dos personagens, interagem no processo de configuração do cavalo na mente do frei protagonista. Esse, criativamente, complementa os indícios da passagem do animal, as relações de similaridade e a presença dos monges do lado de fora da Abadia. Assim, avança para uma leitura simbólica e mais profunda da situação diante da qual se encontra, configurando-a em diferentes formas de um raciocínio. Entre tais formas, encontramos formulações hipotético-dedutivas, como a que fica explícita na seguinte relação entre a pergunta de Adso e a resposta do Frei: “Sim”, disse, “mas a cabeça pequena, as orelhas pontudas, os olhos grandes…” “Não sei se os tem (…), mas com certeza os monges acreditam piamente nisso”. O frei, ao agir de acordo com suas formulações, mostra que seu raciocínio elabora a rede de signos de modo a passar de interpretações possíveis a ilações prováveis.

Associando o que foi descrito como produto da percepção do protagonista ao que foi proposto como conhecimento decorrente de informações literárias, o autor evidencia para os leitores o processo de interpretação e conhecimento que foi estabelecido na mente do frei. A semiose proposta é decorrente da associação entre o que foi imediatamente percebido e o que foi anteriormente aprendido e memorizado, utilizando diferentes tipos de relações entre os signos e seus objetos.

Na concepção do autor, o cavalo em questão aparece como expressão simbólica de alto valor cultural. Pois para o próprio frei Guilherme, e supostamente também para o Abade, o cavalo representa a encarnação de um cavalo ideal, tal como fora previamente determinado por uma autoridade da época, Isidoro de Sevilha, que descrevera as características físicas determinantes da beleza de um cavalo. Além disso, ambos parecem concordar com outra autoridade, Buridan, que é citado por ter indicado Brunello como o nome que se adequaria naturalmente a um animal com tais características.

Do modo como é representado no texto, o cavalo material expressa e representa o cavalo ideal que, anteriormente, teria sido descrito e nomeado por autoridades como Isidoro e Buridan. Para tanto, os ícones do cavalo no texto expressam as características físicas; os índices conectam essas mesmas características a um existente; e a relação simbólica conecta tudo à forma equina idealizada e a um nome. Sua presença deve, portanto, inspirar nos personagens, que foram compostos de acordo com a cultura representada no texto, a crença de que estão diante de um animal superior. Assim sendo, de acordo com a codificação cultural proposta para a época, que também integra a interpretação do frei, era muito provável que Brunello fosse o cavalo preferido do Abade. Portanto, isso foi assumido como certo e o frei pensou e agiu com base nessa certeza.

Por fim, em uma das conclusões expressas pelo discípulo narrador Adso, o autor informa que o frei protagonista “sabia ler não apenas no grande livro da natureza, mas também no modo como os monges liam os livros da escritura, e pensavam através deles”. Entretanto, não satisfeito apenas com o conhecimento, o frei também buscava o reconhecimento de suas habilidades. Assim, o discípulo conclui que o mestre, “em tudo por tudo homem de altíssima virtude, tolerava o vício da vaidade quando se tratava de dar provas de sua argúcia”.

O que se configurou como símbolo de vaidade foi a narrativa de Adso assinalando que frei Guilherme diminuíra o passo de sua cavalgadura para permitir que os membros da abadia chegassem primeiro e contassem o que acontecera. Em síntese, de acordo com o autor, o protagonista simboliza, por meio de suas atitudes, um homem sábio e vaidoso de sua sabedoria.

É constantemente explicitada no texto a imbricada trama de signos que envolve os personagens. Além disso, são explicitados os vínculos entre o conhecimento adquirido nos livros e na cultura e aquele que advém da leitura direta do mundo, implicando em processos de complementaridade entre os diferentes níveis de leitura. O texto ainda mostra como o raciocínio capaz de lidar com essa trama é também capaz de preparar a mente para agir diante de situações que, de outro modo, seriam completamente desconhecidas. Assim, a dinâmica cognitiva do frei demonstra como o raciocínio possibilitou a compreensão do que se passou longe dos seus olhos e, ainda, permitiu-lhe prever as razões anteriores, nem sempre explícitas, que justificariam o raciocínio e os acontecimentos. Isso ilustra que para todos os níveis de elaboração do raciocínio – das hipóteses às ações – os símbolos são importantes, mas não mais do que os ícones e índices.

Na sua narrativa, o trecho em estudo ilustra aspectos gerais do processo cognitivo de construção do conhecimento, relacionando dados percebidos e memorizados, enquanto expõe as estratégias de interpretação e comunicação estabelecidas nas relações entre o ambiente, a cultura e os interlocutores.

Os processos de interpretação, significação e comunicação são plenamente mediados por signos, compondo o campo de estudos em Semiótica. No caso específico do autor, Umberto Eco, que se dedica igualmente aos estudos de Semiótica, Literatura e Cultura Medieval, é justo pressupor que há um consciente enfoque semiótico em sua produção literária. Em outras palavras, por meio da argúcia do protagonista, Eco evidencia as suas próprias qualidades como semioticista, medievalista e escritor. Assim, demonstra mais do que argúcia para ler o mundo, pois também sabe falar muito bem sobre como o mundo pode ser lido.

Infere-se aqui que o texto extrapola, intencionalmente, os limites da literatura ambientada na cultura medieval, dotando a narrativa de diálogos que, entre seus objetos de representação, incluem aspectos gerais dos processos de significação e comunicação, que regem a linguagem na própria construção literária. Assim, o estudo apresentado é um pequeno exemplo do potencial e da riqueza da escritura literária de Eco como pretexto para os estudos semióticos.

Bibliografia

ECO, Umberto. Tratado Geral de Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 1997.

NÖTH, Winfried. Handbook of Semiotics. Indiana: Indiana University Press, 1995.

_________. A Semiótica do Século XX. São Paulo: Annablume, 1996.

PEIRCE, Charles S.. Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 2005.

SANTAELLA, Maria L.. A Teoria Geral dos Signos: semiose e autogeração. São Paulo: Ática, 1995.

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