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Uma releitura de “Agency” Entrevisto pela Consciência e Propósito

Resumo/ Abstract

Imagem: Eduardo Ferreira

Ana Maria Guimarães Jorge

Resumo

Na obra peirceana, o conceito de agency pode ser redefinido em diferentes contextos: o da cosmologia, biologia, percepção, cognição, filosofia, pragmatismo, comportamento, dentre outros. Nada é diferente com a extensão de sentidos do conceito de consciência. Não por acaso, conforme definição cognitivista, um dos sentidos de agency é o de uma consciência implícita pela qual um corpo se faz em relação funcional com quem está fazendo alguma ação, ou um movimento intencional em contínua interação, fundamento para formação intersubjetiva. Na obra peirceana ocorre uma progressiva desconstrução do self, dando lugar ao princípio de intersubjetividade em ação sob propósito. Neste artigo serão investigadas as consequências da intersecção entre agency/ação eficiente e consciência/propósito para a redefinição de intencionalidade. Sob pano de fundo, está a inter-relação ambiente/organismo.

Palavras-Chave: agency, consciência, semiótica, organismo, intencionalidade.

Abstract

In Peirce’s work, the concept of agency can be redefined in different contexts: the cosmology, biology, perception, cognition, philosophy, pragmatism, behavior, among other. Nothing is different with the extension of meaning of the concept of consciousness. Not by chance, according to cognitivists, agency is implied a consciousness in which the body behaves in a functional relationship with who is doing some action, or an intentional movement in continuous interaction, the foundation also for the intersubjective training. In Peirce’s work is a progressive deconstruction of the self, giving rise to the principle of intersubjectivity in action on purpose. This paper will investigate the consequences of the intersection of agency / efficient action and consciousness / purpose to the upgrade of the intentionality concept. In the background there is the environment / organism interrelationship.

Keywords: agency, consciousness, semiotics, organism, intentionality.

Artigo

Introdução

Muitos autores têm refletido sobre a noção de agency como um dos mais importantes aspectos da experiência humana. Há, portanto, diversos focos de pesquisa: aquele relacionado com o self ou com o conceito de pessoa, cujos textos focalizam a consciência de si ou autoconsciência; o da relação entre a pessoa e o corpo; o de livre-arbítrio associado ao conceito de pessoa; o que focaliza a consciência experiencial e a ação intencional; o que reflete sobre a predição neural; sobre a consciência do agente e agência; consciência no sentido de awareness; a teoria da ação vista pela tradição analítica e pela fenomenologia. Muitos são os aspectos a favor de uma fenomenologia cognitiva de propriedade, que se relacione com os estados experienciais: experiências de déjà vu, sentimentos de familiaridade, reconhecimento e importância etc. A experiência de si mesmo como um agente é, para muitos pesquisadores, um fenômeno facilmente identificável, pois envolve as sensações corporais como experiências de movimento, ou o potencial para o movimento, e julgamentos conscientes cujo conteúdo é a ação.

Em termos fenomenológicos, há argumentos contrários a uma fenomenologia da ação, pautados no questionamento: o que é ser um agente, e o que é “a experiência de atuar”, ou a “experiência de deliberar?” Há duas estratégias argumentativas para o ceticismo, a primeira é a estratégia humana e começa com a introspecção. O cético de Hume “olha para dentro” e não consegue encontrar alguma coisa relacionada à experiência de fazer ou de atuar ou de ser um agente. Todavia, a suposição de uniformidade fenomênica do argumento apresenta fragilidades. O ser humano pode desfrutar da mesma gama de estados fenomênicos, entretanto, há diferenças individuais marcantes em relação a alguns tipos de estados relacionados às experiências ou eventos com imagens. É também comum que a experiência de ação seja descrita como recessiva ou passiva, confinada, por exemplo, às margens do conceito de consciência. Postura essa que denuncia de pronto uma separação entre ação e consciência, ou entre ação externa e consciência interna, ou mesmo o sentido de um subjetivismo direcionando ou determinando ações no mundo.

Embora as experiências de ação estejam intimamente associadas a sensações corporais de vários tipos, é necessário não confundir as experiências de ação com as sensações corporais. Fenômenos comuns como espasmos musculares involuntários revelam a distância entre as experiências de movimentos e as experiências de ação, apesar de a tomada de decisão, o esforço mental e o direcionamento voluntário da atenção envolver movimentos de cabeça. Tim Bayne (2006) afirma que outra tendência a ser evitada seria o reducionismo da experiência consciente de ação a julgamentos sobre agency, assim é o caso da ilusão de Müller-Lyer, na qual o conteúdo da experiência visual pode estar em desacordo com o conteúdo do juízo, indicando também que determinados distúrbios da ação sobre o conteúdo da experiência de ação podem estar em desacordo com o conteúdo do julgamento.

Para Anthony Giddens (1991), a vida cotidiana dos agentes sociais transcorre para os próprios agentes como um fluxo de ação intencional da mesma forma que as consequências das ações não se limitam ao esperado em suas intenções, processo esse que produz as consequências não premeditadas da ação. Os agentes humanos “sabem” o que fazem, sob alguma maneira plausível de descrição, porém os agentes podem conhecer pouco sobre as conseqüências de suas ações. As conseqüências da ação dos agentes revelam a propriedade da ação que é a agência. A “‘agência’ não se refere às intenções que as pessoas têm ao fazer as coisas, mas à capacidade delas para realizar essas coisas em primeiro lugar” (GIDDENS, 1984: 10). Agência se refere a eventos dos quais um indivíduo é o perpetrador, sendo que a duração da vida cotidiana ocorre num fluxo de ação intencional praticado pelos agentes. A estrutura da experiência de ação tem um caráter descritivo, ou sintético, pois trata de como as coisas são, apresentando condições de veracidade e o ajuste direcional da mente-para-o-mundo. A tendência descritiva, em geral, implica um representacionismo na análise do caráter fenomênico e descompacta um caráter fenomênico em termos de como o estado em questão representa o mundo como existência, ou seja, como o mundo é e não como o mundo deve ser, em oposição à opinião de Searle.

Esse fluxo de ação intencional, se não for entendido sob o prisma mecanicista, pelo qual causalmente a intenção implica tomada de consciência durante a ação, do começo ao seu final sem equívocos ou desvios externos, poderá ter seu sentido generalizante ampliado para um fluxo intencional inerente à ação, como será visto mais a frente. Contudo, para fim de esclarecimentos, agency pode implicar a capacidade de um agente enquanto capacidade de ação de uma pessoa, de um mecanismo, ou de qualquer outra coisa pela qual alguma força seja exercida e, consequentemente, uma mudança seja produzida. Novamente, se esse sentido geral não estiver restrito a qualquer postulação mecanicista, a relevante e atual ênfase apoiada pela semiótica contemporânea leva a crer que sistemas de signos sejam forças inerentemente vitais, capazes de modificar os modos de existência humanos, portanto, tais sistemas eles mesmos devem ser considerados agents. Maria Eunice Gonzalez, entrevistada em uma edição especial sobre Aprendizagem, Interdisciplinaridade e Ação Criativa, comenta sobre essa concepção externalista do conhecimento fundamentada na ação, explicitando que de acordo com a visão externalista,

o conhecimento e a experiência humana, em geral, não encontram no interior de uma mente o seu habitat natural, como defendem os adeptos do solipsismo metodológico. Eles se constituem e se desenvolvem, antes, na forma de disposições para a ação habilidosa em organismos situados e incorporados que atuam no meio ambiente em concordância com um principio de reciprocidade, segundo o qual organismo e ambiente evoluem conjuntamente. Inspirados na Filosofia Ecológica, inaugurada originalmente por James J. Gibson, na década de 1950, entendemos que organismo e meio ambiente co-evoluem formando nichos semióticos nos quais diferentes formas de ação moldam a diversidade de experiências, significados e identidades no reino animal (JORGE, 2010: 89-96).

William Lycam (1996) diz que o termo “intencional” é usado por filósofos não exatamente como aplicado a ações, mas no sentido de “dirigido sobre um objeto”. Coloquialmente, para que algo seja intencional terá de sê-lo sobre algo. Paradigmaticamente, estados e eventos mentais são intencionais nesse sentido técnico, acepção derivada de escolásticos e reintroduzida nos tempos modernos por Franz Brentano. Intencionalidade, por sua vez, é um termo usado para compor a definição de agency por denotar o fato de que a consciência junto às suas manifestações é descrita como sendo sempre uma consciência ou awareness de alguma coisa. Tal propriedade tem sido investigada por fenomenologistas de diversas linhas e por semioticistas.

O princípio da intencionalidade, por sua vez, permeia o conceito de agency e de consciência na medida em que se traduz como um movimento fenomenológico próprio da consciência em direção ao mundo, pré-reflexivo, ou seja, “estético”. A hipótese, aqui fundamentada, evita reduzir “intencionalidade” a qualquer compreensão racional a priori enquanto ato deliberado, ou mesmo pós-reflexivo. A Fenomenologia de Brentano já apontava para a ideia de intencionalidade, de consciência intencional, concebendo uma consciência ativa que se dirige ao mundo. Conforme proposta peirceana, a significação de qualquer experiência evoluiria do contato direto e cotidiano com o mundo na construção subjetiva da realidade, mediatamente gerando signos em cadeia semiósica. A ação é, então, entendida como elemento objetivo da cognição, na composição do processo de representação (CP 5.238, 1868). Epistemicamente, parece que o processo de observação direta dos objetos, melhor dizendo do phaneron, permite conciliação com um caráter descritivo, ou sintético, e representacional, descompactando o caráter fenomênico em termos de como o estado em questão representa o mundo como existência, entretanto, possivelmente e provavelmente se estendendo para como indutivamente o mundo deve ser em termos reais. O exemplo abaixo produz uma ilusão de óptica, o mesmo dizer que as luzes piscando aqui e acolá não existem na representação gráfica abaixo, pois ao menos é uma representação eletrônica, mas são reais porque continuam sendo percebidas sensorialmente. Há um fenômeno captado perceptivamente.

Sobre a expressão “estados mentais”, é relevante dizer que se o viés de investigação for Metafísico, há de perguntar sobre a natureza dos estados mentais, mas se é epistemológico, há de se perguntar sobre o modo como a entidade conhece a si mesma e sobre a relação de intencionalidade entre os estados mentais e os estados de coisas representados. Para este artigo, a leitura epistemológica ganha maior propósito. Entretanto, ainda cabe uma reflexão, estar sob estado mental de algum tipo implicaria separação demarcada entre estados particulares de sentimentos e de pensamentos? Conforme leitura semiótica, há sempre uma hibridez de elementos qualitativos, reativos e mediativos implicados em toda experiência do indivíduo: ele mesmo um fenômeno sob alternadas predominâncias. Por exemplo, o esforço de atenção sobre algo, sobre si, de um modo geral, na sensação de vida e de estar vivo, mesmo acompanhado de uma insistente dorzinha muscular, ou de qualquer espécie. Aqui o “gerar”, em seu aspecto geral, fica em suspensão e o “sentir” goza de sobrecarga de atenção. Então, um estado apresenta uma certa regularidade sobre a qual algo pode ser detectado, entretanto, isso não determina entender a sua natureza como algo fixo e estável.

Contextualização do conceito de agency entrevisto pelo propósito

Neste artigo, há a intenção de fundamentar quais as concepções da obra peirceana permitiriam inicialmente recontextualizar alguns sentidos inerentes ao conceito de agency. Há de se observar os usos e sentidos dados ao conceito na obra de C. S. Peirce, antes mesmo de quaisquer cruzamentos ou extensões teóricas possíveis.

Lauro Frederico Barbosa da Silveira (JORGE, 2010: 89-96), entrevistado em uma edição especial sobre Aprendizagem, Interdisciplinaridade e Ação Criativa, apresenta alguns excertos colhidos nos Collected Papers of Charles S. Peirce, em que o conceito de agency pode ser encontrado com mais de um significado, tais como:

- no texto Fallibilism, Continuity, and Evolution, Notes on Scientific Philosophy, de 1897 (CP 1.174); no texto Judgment and Assertion, Belief and Judgment, de 1908 (CP 5.547); no texto Absolute Chance, The Doctrine of Necessity Examined, de 1892 (CP 6.58): pode ser visto como “o agente responsável por todos os processos evolutivos, sendo válido desde o crescimento dos seres vivos até a evolução do cosmos”.

- no texto Reasoning and Expectation, Why Study Logic?, de 1902 (CP 2.149): “agency” é o “agente que efetiva uma idéia”. Ou a “ação do homem que atualiza suas idéias graças à sua interação no mundo”.

- no texto The Divisions of Science, A Detailed Classification of the Sciences, de 1902 (CP 1.249): “agency” aparece como o “princípio geral que permite que se atualizem as reações químicas”. Ou o “princípio eficiente que a partir de uma substância alcance um resultado experimental, tratando-se de substâncias físicas ou mesmo psíquicas, como no caso do comportamento humano e animal”.

- no texto Ideals of Conduct, de 1903 (CP 1.592-3); no texto Ideals of Conduct, de 1903 (CP 1.605-607): um “princípio que determina eficientemente, no plano comportamental, uma conduta ética”.

- no texto Mental Law Follows the Forms of Logic, The Law of Mind, de 1891-92 (CP 6.145): um princípio eficiente que molda uma civilização e no “alvor da filosofia, o Amor como princípio constitutivo do cosmos”.

Neste artigo, há coerência em evidenciar alguns direcionamentos de leitura, sob viés peirceano, o primeiro:

  1. coevolução ambiente-organismo: o conhecimento e a experiência humana se desenvolvem na forma de disposições para a ação habilidosa em organismos situados e incorporados, portanto, ambos evoluem conjuntamente também, e de modo circunstancial, no interior de uma mente em particular como extensão de seu habitat natural.
  2. sobre a ação eficiente reativa: o princípio de ação eficiente reativa, diádica, é recorrente e cerne das definições do conceito de agency, conforme as definições acima citadas, e podem ser observados em termos da capacidade para a ação rumo à uma ação intencional de algum tipo, contextualizada junto às suas experiências colaterais.
  3. parece plausível e razoável investir no princípio estético, agápico, que põe em relação o conceito geral de consciência associado ao de intencionalidade, que na acepção evolutiva e epistêmica peirceana significa propósito. O conceito geral de propósito se relaciona diretamente ao de evolução, ao de ação, e ao de hábito como capacidade de ação. Propósito humano ou intenção é um tipo de causação final original que pode aparecer em qualquer tipo de processo biológico ou mesmo físico, exibindo uma tendência irreversível e assintótica à finalização de um estado de coisas (CP 1.250, 1902). Propõe-se, então, um novo ajuste direcional de leitura da “mente/tendencialidade geral para mentes em particular sobre o mundo”.

Benedict pondera a esse respeito para complementar o sentido da idéia peirceana de evolução e propósito, acrescentando que a

introdução de formas vem por meio de um propósito em vez de por acidente. A sobrevivência de uma forma não está garantida simplesmente porque ela deseja encontrar algum propósito; todavia, essa tendência a sobreviver deve servir para indicar em alguma medida o valor do propósito (1973: 56-57).

Shapiro dá ênfase ao vínculo entre o termo ação e o de propósito geral, na obra peirceana, embasando indiretamente o viés epistêmico do propósito-ação ao dizer que:

Ação, se é ação significativa e não um evento isolado, é caracterizada por um propósito geral, bem como o uso de uma variedade de meios para obter este propósito. A natureza teleológica da ação requer, por isto, alguns elementos conceituais, como que metódicos (rule-like), e são estes que Peirce enfatiza como marcas do hábito [embora eles não precisem estar conscientemente ou articuladamente presentes para o agente] (1973: 26).

Do mesmo modo, em 1878, Peirce já aproximava a potencialidade da ação daquela do hábito enquanto capacidade de ação:

A caracterização de um hábito depende de como ele possa levar-nos a agir, não somente em circunstâncias suscetíveis de serem antecipadas, mas em situações quaisquer por improváveis que possamos considerá-las. O que o hábito seja depende de quando e como ele nos leva a agir. No que respeita ao quando, todo o estímulo para o agir deriva da percepção; no que concerne ao como, todo objetivo de uma ação é produzir um resultado sensível. Voltamos assim a dar ao que é tangível e admissivelmente prático o papel de raiz de qualquer efetiva distinção – por mais sutil que seja – possível de traçar com respeito ao pensamento – inexiste distinção de significado tão refinada que possa consistir em algo que não uma possível diferença prática (CP 5.388-410, 1878).

Como entender esse princípio eficiente e diádico da ação? É no conceito peirceano da lei que se conectam acaso, hábito e mente, sob visão antinominalista oposta à causalidade determinista, que seria embasada em uma lei inviolável (CP 6.612, 1891). Segundo Peirce, há duas ações no universo: ação diádica, mecânica ou dinâmica, denominada causação eficiente, e ação triádica, inteligente, equivalente à ação signica, ou semiose, causação final. Ação diádica, categoria de segundidade é um evento descontínuo, força bruta, agindo aqui e agora, mas não se confunde com o conceito de causação mecânica: “forças mecânicas estão em algum lugar entre as ações triádicas, continuidade, ou causalidade final, e as ações diádicas, descontinuidade, ou causação eficiente” (CP 6.10-11, 1891).

A causação final é um tipo de necessidade das leis da natureza e no escopo mental apresenta originalidade. A noção de causação final é antiga e provém de Aristóteles com a definição de causa final enquanto uma entre quatro tipos de causas além da material, formal e causa eficiente. Peirce manteve somente a oposição entre causação final e eficiente, entretanto, atribuindo-lhe nova interpretação, desse modo:

Como Aristóteles, Peirce não limitou causação final a processos conscientes, nem ele tomou isso como se fosse um atual, mas como um tipo geral. Como Aristóteles, Peirce considerou serem os processos de causação final observáveis e não os considerou capaz de agir sem a cooperação de causas eficientes. A não ser Aristóteles, todavia, Peirce não atribuiu a influência das causas finais nem à perfeição nem à bondade, nem para uma fonte de atividade pura e primeva (SHORT, 1982: 369-371).

A diferença entre Peirce e Aristóteles ultimamente depende do insight de Peirce, que ele foi o primeiro na história a formular que a possibilidade de desenvolvimento irreversível das distribuições acásicas é uma condição necessária para todos os tipos de causas finais, incluindo propósitos… (PAPE, 1993: 603, apud SANTAELLA 1998: 258-59).

Peirce sustenta tendência à unificação da ação física e psíquica, apontando para o processo associativo das forças conservativas, relativas ao pensamento abstrativo e inferencial, dizendo que elas nada governam, exceto as relações espaciais das partículas. Sob associações por semelhança e por contiguidade, elas são “leis das reações mútuas de partículas no espaço. [...] as partículas reagem umas sobre as outras tanto mais fortemente quanto mais próximas estiverem umas das outras” (CP 7.523, 1898).

A tendência natural, e não antropocêntrica, de adquirir hábitos se estende àquela de generalizar e gerar associações sob princípio de atração entre ideias, ou melhor, “as ideias tendem a se espalhar continuamente e afetar outras que estão para elas em uma relação de afecção. Ao se espalhar, as ideias perdem intensidade e, particularmente, o poder de afetar outras, mas ganham generalidade e misturam-se com outras ideias” (CP 6.104, 1891).

A ordem é evolucionariamente constituída sob a tendência de aquisição de hábitos, a de generalizar, o que permite entrever que o universo material é formado por hábitos de conduta, na forma de leis naturais. O autor vai dizer que a inteligência exerce sua função intelectual sobre algo de sua natureza. O Universo surge como primeiro na forma de um continuum de qualidades de natureza interior, assim, tais “qualidades fragmentadas em suas múltiplas dimensionalidades e sob cego Acaso ordenam-se em contínuos sob uma tendência, típica do universo mental, de adquirir hábitos, de generalização” (IBRI 1996: 30).

Os estados mentais não são rígidos, ou físicos, ou localizados como propriedades, pois estão submetidos ao enlace de forças gentis repletas de espontaneidade, segundo o argumento do autor, a

verdade é que a mente não se submete à lei do mesmo modo rígido com que a matéria se submete. A mente só experimenta forças gentis que a tornam mais propensa a agir de um determinado modo do que de outro. Sempre permanece uma certa quantidade de espontaneidade arbitrária em sua ação, sem o que a mente morreria (CP 6.148 1891).

Na relação, ainda geral, as ações não conservativas, irreversíveis, e conservativas, reversíveis e inferenciais, ganham extensão na idéia de irreversibilidade do tempo na mente para compor um continuum de consciência e se estendem sob o viés eficiente de ações conservativo-espaciais na experimentação mental de indivíduos (CP 7.473, 1898; ver JORGE, 2006). O princípio de continuidade regula o processo cognitivo no qual a consciência é um contínuo e o “eu é um signo em um fluxo semiótico contínuo” (CP 6.173 1901; CP 6.102 e 163; ver KETNER,1992: 37). Antes mesmo de expor o princípio de “self” enquanto subjetividade, cabe esboçar um ponto de vista geral sobre a possibilidade estética da atração como base para o terceiro item anteriormente apontado neste artigo.

Qual é o princípio que liga causação final, propósito, com o agapismo? A evolução agapástica contínua das leis segue um direcionamento previamente ordenado pela influência do futuro sobre o presente, ou seja, pela atração incitada por causas finais (CP 2.86, 1902). Essa causação final, ou lógica, que é base para qualquer processo evolucionário físico e psíquico se desnuda em inferências (CP 1.250, 1902). O princípio do agapismo no pensamento implica a idéia de propósito:

O desenvolvimento agapástico de pensamento deve, se existe, ser distinguido por seu caráter de propositado, esse propósito sendo o desenvolvimento de uma ideia. Nós temos uma compreensão harmoniosa, agápica, e sua recognição em virtude da continuidade do pensamento. Se pudesse ser mostrado diretamente que há uma tal entidade como o “espírito de uma era” ou de pessoas, e aquela mera inteligência individual não responderá por todos os fenômenos, isto seria prova suficiente do agapasticismo e do sinequismo. [...] Eu acredito que todas as maiores realizações de mente estiveram além dos poderes de indivíduos… (CP 6.315, 1891).

Consequentemente, o desenvolvimento agapástico do pensamento implica adoção de certas

tendências mentais, não indiferenciadas, como no caso do tiquismo, nem cegas pela força bruta das circunstâncias, como no anancismo, mas por uma atração imediata pela ideia ela mesma, cuja natureza é pressentida mesmo antes de a mente entende-la, ou seja, pelo poder de afinidade que se manifesta na continuidade da mente (CP 6.307, 1891).

Essa tendência mental pode, por exemplo, afetar uma totalidade de pessoas unidas por uma afinidade mesmo que algumas delas não estejam intelectualmente capazes de atingir essa ideia geral, que move o grupo em algumas direções, por suas compreensões particulares. De outro modo, essa tendência pode afetar diretamente uma pessoa, cabendo ao indivíduo somente compreender a ideia pela afinidade dessa com outra ideia que lhe seja similar, no processo de desenvolvimento do pensamento. Essa ideia também pode afetar um indivíduo por uma atração inconsciente exercida sobre sua mente, chamada de adivinhação do gênio (CP 6.307, 1891). Segundo Ibri (1994: 95), o anancismo assume outro viés da palavra affect, o sentido da afeição agápica acrescido ao de interação necessária, por afinidade ou por oposição lógica. Ainda acrescenta que, “neste caso, o significado daquela palavra poderia ser afetar por vincular um antecedente a um conseqüente ou, mesmo, negar um conseqüente por oposição lógica”.

Peirce evita qualquer visão mecanicista da psicologia comportamental ao conceber a formação de hábitos como fruto da interação dinâmico-natural mediada pelos signos, alargando a concepção de realidade para condição de constantes transformações. Os hábitos, no escopo do crescimento da Terceiridade, são formados devido a oposições apresentadas pelo meio, pelo entorno, em caso específico, o ser humano reage eficientemente no escopo relacional de seu processo de desenvolvimento, sendo que o conjunto de reações experienciais permite ao homem apreender qualidades, impressões, informação sensório-perceptiva, fazendo emergir hábitos em estado de Terceiridade, ou crescimento, semiose.

Consciência enquanto awareness e subjetividade, na obra peirceana

Uma breve introdução ao que é a consciência sob viés metafísico parece ser necessária a fim de esclarecer a s relações com o hábito e propósito. Em 1891, o autor afirma que o movimento da lei do hábito parte, então, da disformidade rumo à uniformidade, isto é, a diversidade brota de uma tendência generalizante, ou uma generalização de sentimento, segundo o autor:

Quando uma perturbação de sentimento ocorre, temos uma consciência de ganho, o ganho da experiência; e uma nova perturbação estará apta a assimilar-se àquela que a precedeu. Ao serem excitados, os sentimentos se tornam mais facilmente excitáveis, especialmente do modo como eles foram previamente excitados. A consciência de tal hábito constitui uma concepção geral (CP 6.21, 1891).

Em 1898, a fim de estabelecer bases pré-cognitivas para as relações entre objetivo e subjetivo atualizados num sistema, humano ou não, Peirce já trazia desenvolvida a idéia de unidade como quale. Unidade é uma potencialidade atualizada que gera qualidade, da natureza da consciência não desperta ou quale-consciência (CP 6.236-37, 1898). Assim, “o elemento quale, que aparece por dentro como unidade, quando visto de fora, aparece como variedade”. Conforme Ibri (2001: 73), a “segundidade interna se torna categorialmente o correlato da reação do fenômeno externo contra a consciência, à semelhança da correspondência entre unidade interna e diversidade externa, ambas sob a primeira categoria”. A Terceiridade aparece como mediação entre Primeiridade e Segundidade, formando consciência sintetizadora, temporal, ou experiência de síntese (CP 1.381, 1890). A unidade de uma qualidade é uma ideia e envolve dualidade (CP 6.374-75, 1901). Em 1908, o autor pensa o conceito de continuidade junto ao de uniformidade, fazendo um vínculo indelével da conaturalidade entre físico e psíquico, ou entre objetivo e subjetivo, pois continuidade é homogeneidade, ou uniformidade, que é uma regularidade (CP 7.535, 1908).

Ainda em 1898, e já em 1892 (CP 6.102 e 163), o autor dizia que o espalhamento de ideias se faz continuamente, aumentando suas generalidades para a formação de um continuum de consciência. À medida que essas ideias são alimentadas, transcorre evolução criativa. O princípio de continuidade regula o processo cognitivo no qual a consciência é um contínuo e o “eu é um signo em um fluxo semiótico contínuo” (CP 6.173, 1901; KETNER,1992: 37; JORGE, 2006). Unidade de consciência é, neste escopo, princípio metafísico e não fisiológico que acontece pela aproximação de idéias distribuídas por ações fortuitas, reunidas em idéias gerais na produção de associações mentais. É o crescimento da Terceiridade (CP 6.229, 1898) ou formação de hipóteses a partir da unidade de consciência perceptiva de um objeto (JORGE, 2006).

Noutro escopo, de um lado, consciência é sinônimo de awareness, assim também, é a capacidade de um organismo responder ou perceber eventos e objetos intra e extrassomáticos, segundo Colapietro (1989). De outro, subjetividade é o nome dado e que identifica o “eu” considerado como um self corporificado e situado cuja habilidade de pensar depende da linguagem, portanto, a awareness de si mesmo é distorcida e parcial. Outra característica do “eu” é dada pelo sujeito ou pessoa. O sujeito corporificado, imerso num sistema histórico e cultural é um self autônomo, de modo problemático, implicando conflito entre liberdade e autonomia. A Semiótica contemporânea, bem como os pós-estruturalistas, repensa os modos pelos quais nos referimos e representamos a nós mesmos e os modos pelos quais os outros se referem a nós e nos representam.

Qual seria a base para o conceito de subjetividade conforme a proposta peirceana? No escopo da inter-relação evolutiva entre mediação e hábito, a mediação que evolui é aquilo que garante a continuidade. A obra peirceana apresenta uma Fenomenologia da ação também como ação mental, alimentadas por propósitos, e direcionadas a um fim in the long run, contrariamente à distinção entre a fenomenologia da ação física e a fenomenologia da ação mental, apontada por Strawson (2003) como uma tendência contemporânea de leitura. Cabe aprofundamento, a Fenomenologia funda os três modos de ser dos fenômenos e da consciência e os modos de aparecer na sua exterioridade serão categorialmente os mesmos modos de aparecer na interioridade. Então, interioridade relacionada à mediação e exterioridade relacionada à diversificação se aproximam das acepções de subjetividade e de objetividade. Mais ainda, Peirce entende esse estado subjetivo de consciência contínua embasado no atributo de duração, em sentido subjetivo, e seu objeto será a consciência imediata. Rosa (sd: 323) põe ênfase no fato que “a pura atividade da consciência (será o sujeito) e o objeto intencional interno dessa atividade”, em que subjetivo e objetivo estão sob o mesmo quadro topológico continuísta (JORGE, 2006). Em 1897, o autor reitera a relação íntima entre Semiótica e Pragmatismo embasados na Fenomenologia rumo à ação inferencial: o “pragmatismo é uma doutrina correta apenas na medida em que se reconhece que a ação material é o mero aspecto exterior das ideias… mas o fim do pensamento é a ação na medida em que o fim da ação é outro pensamento” (CP 8.272).

Na obra peirceana, há a tendência de conceber a concepção de subjetividade em detrimento do que seja este “eu”. Conforme Peirce, a subjetividade é ainda entendida pelo pensamento ocidental como algo predominantemente exclusivo de cada indivíduo e a objetividade como fator comum, pela observação dos fenômenos. Ao contrário, para o autor subjetividade não implica isolamento e nada tem que ver com a noção cartesiana de subjetivismo, pois Peirce rejeita a visão predominantemente diádica de realidade. Desse modo, o corpo humano não é um local onde o “eu de um sujeito” está localizado, mas pode ser mais coerentemente definido como o meio coeso pelo qual esse “eu se manifesta”.

Conforme o comentário de Colapietro sobre a proposta peirceana, (1989), a manifestação desse “eu” acontece pelo diálogo de cada ser humano com a coletividade, em caráter de cooperação em reconhecimento à alteridade dessas subjetividades, interagindo e dialogando em sociedade, numa continua construção, não recorrente ao princípio aristotélico de teleologia.

Então, parece que quanto mais elevado o nível de consciência, menor é a exclusividade desse “eu”, ou seja, nesse processo de mediação sígnica, o princípio delimitador de um “eu” é desenvolvido a partir das relações com o outro, sob interação dinâmica com outras realidades “alteres”, considerando-se inclusive as variações de tempo e de espaço, o que implica em transitoriedade e indeterminação desse “eu”, num processo continuamente reprocessado e descentrado de ser e de vir-a-ser.

Considerações parciais

Considerações parciais pelo fato de haver necessidade de desenvolver outros artigos complementares para dar conta do tema e suas proposições, bem como da extensão de sentidos do termo intenção em diferentes escopos e dimensões. Se um dos sentidos de agency é o de uma consciência implícita pela qual um corpo se faz em relação funcional com quem está fazendo alguma ação, ou um movimento intencional em contínua interação, fundamento para formação intersubjetiva, há possibilidade de retomar a raiz do conceito enquanto capacidade para ação sobre algo e questionar as bases de entendimento do conceito de intencionalidade enquanto governado pelo princípio do propósito geral.

O princípio agápico da atração por causas finais, do futuro sobre o presente, ou a força evolutiva de atração, pode ser pensado como se o “espírito de uma era” ou uma inteligência coletiva atualizasse formas no mundo, apresentadas como recognição em virtude da continuidade do pensamento. Tendências mentais, corporificadas, e movidas por atração imediata de ideias, potencialmente pressentidas em seu “continua de qualidades”, que não apresentam ainda uma existência no mundo perceptível, pois são protophaneron (protofenômeno) não analisáveis desse continua de qualidades, mas que tendem a manifestar tais afinidades reais atualizadas em ações. A afinidade como um protophaneron cujo potencial atrativo é ativo sobre sistemas implicaria a inserção de formas no mundo, ou seja, originalidade no escopo mental. Assim, todo estímulo para o “agir” se deriva da percepção e todo objetivo de uma ação é produzir um resultado sensível.

Na obra peirceana ocorre uma progressiva desconstrução do self, dando lugar ao princípio de intersubjetividade em ação sob propósito. A intersubjetividade seria o processo de compartilhamento desses significados, da construção da realidade num processo de diálogo entre subjetividades, pois o homem constrói a realidade significando-a subjetivamente a partir do seu contato com o mundo. Intersubjetividade implica, conforme o comentário de Colapietro (1989), intimidade e autonomia. A intimidade do pensamento humano pelo desenvolvimento do eu como um todo num processo de contínuas transformações, em seus aspectos afetivos, emocionais, cognitivos, o que em sociedade pode levar a uma situação de autonomia deste “eu”: ser livre em uma dinâmica de jogo com as realidades pela mediação sígnica. Nenhum ser humano é um ser pronto, acabado, pois em seu desenvolvimento participam momentos de individuação e de coletividade, dinamicamente. Peirce irá dizer que “ser humano é existir numa tensão entre solidão e solidariedade” (CP 7.591-2), apercebendo-se e ausentando-se alternadamente.

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C. S. Peirce

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Revista Digital

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